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Educação
Universidade e Curriculo
Elisabete Monteiro de Aguiar Pereira.
ISBN: 978-85-7591-148-8
Formato: 14 x 21 cm | Acabamento: Brochura
Páginas: 14 x 21 cm | Ano: 2010 | Edição: 1
Idioma: Português
Preço: R$ 39,90
Sinopse:

DE R$ 57,00 POR R$ 39,90.

O livro trata o tema da educação geral como ênfase curricular na formação do estudante universitário, com profundidade de análise e abrangência de abordagem, reunindo autores, estudiosos e pesquisadores que têm como foco a preocupação com a responsabilidade da universidade para com o estudante, a sociedade e a humanidade.
A questão da educação geral como ênfase curricular dos cursos de graduação tem sido retomada nas discussões e debate sobre o papel e função da universidade, no que diz respeito à formação do estudante. Algumas universidades brasileiras, a exemplo do que fazem as melhores universidades européias, americanas, australianas e canadenses, estão implementando currículos de graduação que não visam somente a formação da especialização em uma pequena área do conhecimento, mas uma formação mais ampla, mais complexa, mais cultural.
É destinado a todos que entendem ser a educação superior algo mais que uma preparação em habilidades e competências técnicas, voltadas para o mercado de trabalho.
Todo aquele que vê seriamente a questão da formação do estudante universitário e se percebe insatisfeito com os rumos que a educação superior tem tomado na maioria das instituições de educação superior brasileira, encontrará nas páginas desta obra uma oportunidade de diálogo com autores, estudiosos e pesquisadores que têm como foco de análise uma formação mais ampla, mais cultural, mais ética e mais humana.
As discussões e debates sobre universidade e seu papel na sociedade de hoje, têm retomado a questão da educação geral ou formação geral como uma necessária ênfase curricular que efetivamente prepara o estudante para a complexidade do conhecimento, para a dinâmica das mudanças no mundo do trabalho, para o conhecimento de si e de suas potencialidades e para atividades condizentes com uma sociedade mais justa e igualitária.
Para convidar o leitor ao debate, este livro reúne textos de estudiosos e pesquisadores que têm o tema da educação geral como foco, esperando que juntos possamos empreender uma outra forma de organizar e trabalhar o currículo das universidades brasileiras.


Temas que compõem a obra e seus autores:

CAPÍTULO 1
Formação superior: entre o mercado e a cidadania
Pedro Goergen

CAPÍTULO 2
Reforma Curricular da Universidade Harvard: a centralização da Educação Geral no século XXI
Elisabete Monteiro de Aguiar Pereira

CAPÍTULO 3
Princípios subjacentes aos programas de educação geral de Universidades e “Colleges” americanos
José Camilo dos Santos Filho

CAPÍTULO 4
Modelos de educação geral na experiência universitária americana
José Camilo dos Santos Filho

CAPÍTULO 5
Ensino e aprendizagem na universidade: a pesquisa como princípio pedagógico da formação geral
Antônio Joaquim Severino

CAPÍTULO 6
Educação em ciência, tecnologia e sociedade para as engenharias: perspectivas de Educação Geral
Laís Fraga, Henrique T. Novaes, Renato Dagnino

CAPÍTULO 7
Educação Geral: um desafio pedagógico no Ensino Superior
Cássia Ferri

CAPÍTULO 8
A Educação Geral na história curricular da universidade brasileira
Carmen Célia Barradas Correia Bastos e Jamile Cristina Ajub Bridi


CAPÍTULO 9
Memórias de formação do curso de psicologia: reflexões acerca da formação geral
Paula Saretta de Andrade e Silva e Ana Maria Falcão de Aragão


APRESENTAÇÃO

A intenção do Grupo de Estudos e Pesquisas sobre Educação Superior – GEPES, da Faculdade de Educação, da Unicamp, com a publicação sobre o tema Educação Geral é a de dar continuidade, com reflexões e análises, ao debate sobre o ressurgimento, no contexto da educação superior brasileira, da discussão sobre formação geral como ênfase curricular da graduação. A atual retomada das discussões sobre a importância da educação geral como formação universitária do estudante tem como pano de fundo uma mais concreta percepção das mudanças no mundo do trabalho e um entendimento mais sensível das responsabilidades da universidade para com o indivíduo, a sociedade e a humanidade. Aclara-se, cada vez mais, que a função da universidade está para além da preocupação restrita com o mercado de trabalho (há grande diferença entre formar para o mercado e formar para o mundo do trabalho), com as necessidades imediatas da sociedade e com a formação profissional especializada.
Para a universidade exercer efetivamente sua função social, sua responsabilização é a de preparar para o exercício da cidadania, para valores éticos e a construção de uma sociedade democrática, justa e igualitária, para a complexidade do conhecimento e para preparar os estudantes com condições de organizarem e reorganizarem sua vida produtiva ao longo de sua existência. Tais tarefas ampliam a atuação e a intenção dos currículos para além de uma construção linear, geralmente fragmentada, com disciplina e conteúdos que se esgotam em si mesmo ou têm perspectiva utilitarista.
Algumas universidades brasileiras, a exemplo do que fazem as melhores universidades européias, americanas, australianas e canadenses, estão implementando currículos de graduação que não visam mais a formação estreita da especialização em uma pequena área do conhecimento. Iniciativas concretas de implantação de um novo programa de educação geral nos cursos de graduação têm sido desenvolvidas a partir do início deste século por instituições brasileiras, entendendo que esta é a preparação necessária para uma vida de contínua aprendizagem em uma sociedade com acelerados processos de mudanças em todos os aspectos da vida humana, como se caracteriza a sociedade contemporânea. Entendem estas instituições que a preocupação com a educação geral não termina na escola média, mas continua nos processos de formação dos cursos de graduação, período ainda de formação dos jovens.
Trabalhar estas questões, tão atuais e verdadeiras, tem sido a preocupação do GEPES em seus estudos, debates, eventos, teses, publicações e pesquisas. O ponto do qual parte seus estudos e pesquisas é o de que estamos em meio a uma mudança radical das bases epistemológicas que instrumentam o conhecimento, o que libera o currículo da organização linear em disciplinas estanques ao qual tem sido submetido a fim de responder e atender a uma forma desunida e com delimitações explícitas entre áreas, e até subáreas, do conhecimento. Para argumentar a possibilidade de um novo olhar para o currículo, trazemos para análise alguns princípios, conceitos e visões que estão estruturando outras perspectivas para a questão curricular da formação do estudante. Embora não sejam questões novas, elas se fazem mais presentes no atual tempo histórico, impulsionadas pelas novas dimensões de integração, de interdisciplinaridade, de relação teoria e prática, ensino e pesquisa e relação entre professor, aluno e conhecimento. Além desses aspectos já característicos, a dimensão ética, afetiva e emocional tem sido preocupação que os atuais currículos das importantes universidades européias e americanas têm tido como princípios.
A nova perspectiva de estruturação curricular com ênfase na educação geral é um objetivo ambicioso e só pode ser realizado por um novo entendimento de formação do universitário, de responsabilidade da universidade e de nova configuração curricular. Nesta estruturação, a hegemonía da cultura científica, base dos currículos profissionalizantes que focam apenas a especialização, divide espaço com outras formas de culturas entendidas hoje como tão importantes como aquela. Ao invés de domínio, teremos diálogo e complementação entre as culturas e entre as áreas do conhecimento. Atualmente nos debates sobre currículo é entendido que cabe à universidade reverter e reunificar estas culturas e áreas do conhecimento. Embora este não seja um problema novo, a discussão em torno de como organizar o currículo para a superação da compreensão parcializada das questões sociais, humanas e culturais se faz necessária como um dos mais importantes aspectos para a formação do estudante universitário do século XXI.
Para apresentar estes pontos e convidar o leitor a debatê-lo, este livro reúne textos de estudiosos e pesquisadores que têm o tema da educação geral como foco e como aspecto de grande significado para o contexto educacional e curricular das universidades brasileiras. Pela abrangência com que o tema é tratado nos diferentes capítulos, oferece ao leitor perspectivas de organizar um pensamento crítico e embasado sobre a educação geral como núcleo de formação do estudante, como ênfase necessária e relevante, como amplitude cultural que incorpora os aspectos científicos, sociais e artísticos, como preparação para a participação ativa e ética nos problemas naturais, humanos e ambientais.
Abrindo a série deste livro o texto “Formação Superior: entre o mercado e a cidadania”, de Pedro Goergen argumenta, com uma análise crítica, fina, acurada dos alcances do iluminismo, no qual está fundamentada a arquitetura da universidade moderna, que o modelo da racionalidade que assegurava um mundo melhor, baseado nas conquistas da razão e na genialidade do homem, alcança seus limites e pouco contriuiu para melhorar os desígnios humanos. A humanidade fez muitos progressos baseados na ciência e na tecnologia, mas não eliminou as desigualdades sociais. Seu desenvolvimento descontrolado, resultante de um modelo de ciência e tecnologia autônomo e desconectado dos interesses humanos, teve reflexos preocupantes sobre a vida individual, coletiva e planetária. Diante destas questões o autor discute o peso exclusivo que a preparação profissional assume no processo formativo dos estudantes de hoje, principalmente nas instituições de educação superior brasileiras onde prevalece uma cultura fortemente materialista e utilitarista. No entanto, para aqueles que acreditam na educação superior como um bem público, que se vêem com a responsabilidade de formar não só profissionais, mas profissionais-cidadãos, capazes de contribuir para a construção de uma sociedade melhor, mais humana e justa, há outros parâmetros de organização. O autor traz para a discussão a reflexão de que o princípio da construção de uma sociedade mais justa e democrática depende de indivíduos não só profissionalmente competentes, mas de cidadãos com apurado sentido ético e de responsabilidade social, e é a universidade que é chamada para formar esses novos profissionais. Também apresenta reflexões explicitando argumentos a favor desta forma de entender a relação entre universidade e sociedade e a influência direta que a natureza dessa relação tem sobre a estrutura, organização e filosofia dos cursos de graduação.
O capítulo de Elisabete M. A. Pereira, intitulado “Reforma Curricular da Universidade Harvard: a centralização da Educação Geral no século XX”, apresenta o processo da atual reforma curricular que esta universidade implementou a partir de 2007, e uma análise das razões que a levaram a reafirmar a centralidade da educação geral na formação dos estudantes do século XXI. Como tem sido a ênfase histórica do processo curricular da Universidade Harvard, a educação geral foi novamente afirmada como a mais adequada para o cidadão e profissional de uma época de mudanças em todos os aspectos do viver humano como no conhecimento, cultura, economia, política e geografia, como da necessidade do indivíduo ser aberto, ético, com espírito científico e inovador e em constante aprendizado e formação. O texto, de forma ampla e bem desenvolvida, apresenta a estruturação básica da reformulação, o processo de discussão entre professores, alunos, ex-alunos e administração, os princípios e objetivos que nuclearam a reestruturação e a arquitetura curricular final. Sendo a Universidade Harvard de grande relevância no cenário da educação superior no mundo, a intenção de apresentar sua reformulação foi a de deixar explícitas as razões da ênfase em educação geral e o porquê ela continuou sendo tida como as mais adequada para a formação do estudante universitário para o atual tempo histórico. A análise prioriza conhecer o contexto que fomentou o processo de reformulação e os desafios que a universidade considerou imprescindível enfrentar para uma adequada formação do estudante no primeiro quartil deste milênio (primeiros 25 anos).
José Camilo dos Santos Filho apresenta nesta obra, dois capítulos que se ligam através de uma aprofundada análise da questão da educação geral do estudante universitário e da organização dessas atividades no currículo, em diferentes universidades e tempo histórico. O capítulo intitulado “Princípios subjacentes aos programas de Educação Geral de Universidades e `Colleges` americanos”, expõe uma reflexão sobre a experiência prática de educação geral desenvolvida no contexto da educação superior norteamericana por ser este um dos países que vêm, há séculos, desenvolvendo a formação dos estudantes universitários com ricas e diversificadas experiências de educação geral. O conhecimento dos fatores históricos condicionantes do movimento de educação geral nesse país, das polêmicas filosóficas, teóricas e políticas e das principais propostas experimentadas para sua solução, particularmente no decorrer do século XX, é de relevância para o atual momento histórico universitário brasileiro, quando ressurgi tanto a discussão, como várias iniciativas concretas de implantação de programas de educação geral em algumas instituições universitárias. O capítulo contribui para o diálogo e as discussões que estudiosos brasileiros estão fazendo e surgem de dentro de nosso sistema nacional de educação superior. Contribui também para dimensionar o que é e o que não é educação geral, questão que tem levado a várias interpretações, conceituações e defesas. Pela análise da experiência americana, o autor explicita os princípios básicos subjacentes aos programas de educação geral entendido como parte fundamental da formação de todo estudante universitário.
No capítulo seguinte, que tem por título “Modelos de Educação Geral na experiência universitária americana”, José Camilo dos Santos Filho analisa três abordagens que podem fornecer um contexto para o planejamento da educação geral. Os três modelos são os atualmente empregados nos Estados Unidos, onde há liberdade de estruturação curricular devida ao caráter descentralizador da educação superior americana e da grande autonomia das instituições universitárias. Nesses modelos pode-se compreender a natureza dos programas de educação geral e entender as finalidades que cada organização curricular apresenta na sua especificidade. Os três modelos são: o modelo centrado nas disciplinas acadêmicas, o centrado nos Grandes Livros e o centrado na formação do cidadão efetivo. Cada modelo de educação geral reflete e espelha a cultura, a identidade e os propósitos institucionais, bem como as opções de cada instituição universitária sobre conhecimento, aprendizagem, conteúdo, perfil docente e compromisso social. Estes modelos são analisados pelo autor destacando as raízes históricas e as características básicas, pois, cada instituição constrói sua própria história e identidade. A escolha do modelo mais adequado de educação geral marca substancialmente a atuação dos docentes e o perfil dos discentes e é determinada pelo entendimento que cada instituição tem sobre sua missão ou seu papel na sociedade.
O capítulo que trata do “Ensino e aprendizagem na universidade: a pesquisa como princípio pedagógico da Formação Geral”, de Antônio Joaquim Severino, apresenta a postura investigativa como elemento imprescindível para uma adequada pedagogia universitária. Defende que na universidade, a docência e a aprendizagem se tornam significativas quando sustentadas por uma permanente atividade de construção do conhecimento. Para ele, o professor universitário precisa da prática da pesquisa para ensinar eficazmente e o aluno precisa dela para aprender eficaz e significativamente. Também a comunidade precisa da pesquisa para poder dispor de produtos do conhecimento e a universidade a desenvolve como parte de seu fundamental papel para com estes três segmentos. A importância da pesquisa como processo de formação é defendida por ele ao entender que o conhecimento só se realiza como processo de construção dos seus conteúdos, ou seja, todos os produtos do conhecimento são conseqüências de processos de produção, sem o que não ocorre apropriação. Como única instituição sócio-cultural, a universidade tem a função primordial de desenvolver o ensino, a pesquisa e a extensão, mas para o autor estes aspectos se articulam a partir da pesquisa, isto é, a universidade no desempenho de sua função ensina pesquisando e presta serviços à comunidade se nutrindo dos conhecimentos produzidos. Para ele, na formação do estudante impõe-se partir de uma equação de acordo com a qual educar (ensinar e aprender) significa conhecer; e conhecer, por sua vez, significa construir o objeto, mas construir o objeto significa pesquisar. Por isso, na universidade, a aprendizagem, a docência, a ensinagem, serão significativas se forem sustentadas por uma permanente atividade de construção do conhecimento. Ambos, professor e aluno, precisam da pesquisa para bem conduzir um ensino eficaz e um aprendizado significativo.
O capítulo “Educação em ciência, tecnologia e sociedade para as engenharias: perspectivas de educação geral”, de Laís Fraga, Henrique T. Novaes e Renato Dagnino, traz uma reflexão sobre a formação do estudante nos cursos de engenharias. Analisa os atuais currículos de curso centrados nos aspectos técnicos e conclui que estes têm deixado de considerar a complexidade das relações entre sociedade, ciência e tecnologia. A conseqüência dessa orientação curricular é a de formar engenheiros e engenheiras alienados das questões sociais e humanas. O texto entende ser da responsabilidade de coordenadores, docentes e estudantes de cursos de engenharias, a difícil tarefa de provocar transformações curriculares que atendam a um novo período histórico como o que estamos vivendo. Para os autores, a formação do estudante de engenharia deve ser vista como um continuum entre formação humana e técnica para que as questões do viver possam ser analisadas e trabalhadas nessa perspectiva ampla. Para tanto, o texto faz considerações sobre as relações entre sociedade, ciência e tecnologia no contexto atual de transformações no conhecimento, no mundo social e do trabalho, nas políticas econômicas e na geografia econômica do mundo. A crítica que fazem é a de que a supervalorização do aspecto técnico estaria levando engenheiros e engenheiras a atuar de forma limitada e, principalmente, alienada diante da complexidade das relações entre ciência, tecnologia e sociedade. Entendem que a orientação dos currículos não é uma conseqüência apenas da compartimentalização do saber, mas também, e principalmente, da maneira como foram sendo conformados ao longo da história. A modificação dessa orientação demanda significativas transformações na política da educação superior, na cultura universitária e nas abordagens pedagógicas. Estas modificações só serão empreendidas se houver uma modificação na relação entre ciência, tecnologia e sociedade.
No capítulo sete, dando continuidade às reflexões sobre a provocação de responder a questão se a educação superior deve oferecer a educação geral ou preparar jovens e adultos universitários para os desafios do mercado de trabalho, o texto “Educação Geral: um desafio pedagógico no Ensino Superior”, de Cássia Ferri, apresenta o desafio pedagógico a ser enfrentado por aqueles que compreendem as instituições de ensino superior como responsáveis pela formação de profissionais-cidadãos. Na perspectiva da autora, três aspectos importantes merecem atenção: a aprendizagem dos jovens e adultos universitários, a seleção e organização de conteúdos e procedimentos de ensino; e a instrumentação adequada para os processos avaliativos. A compreensão do processo de aprendizagem de jovens e adultos universitários é da maior importância para a atuação tanto dos docentes como da instituição de ensino superior, pois, como hoje se sabe, os processos psicológicos de desenvolvimento não se concluem com o final da adolescência, nem se estabilizam ou cessam na pessoa adulta. Pretender alterações curriculares que tenham por base esse entendimento e promovam a educação geral como forma de preparar os estudantes para o seu contínuo desenvolvimento psicológico, significa implicar o corpo docente nesse entendimento. Por outro lado, o grupo de alunos hoje, apresenta um perfil diversificado. Neste contexto heterogêneo a autora argumenta que para que ocorra aprendizagem há necessidade de interação desses dois elementos do processo, ou seja, a aprendizagem dos alunos depende também da capacidade dos professores de entender a sua diversidade, criando condições efetivas de aprendizagem. Olhar nesse contexto para as possibilidades que a educação geral apresenta, é a contribuição do capítulo.
O texto sobre “A Educação Geral na História Curricular da Universidade Brasileira”, das autoras Carmen Célia Barradas Correia Bastos e Jamile Cristina AjubBridi analisa as escassas tentativas de se construir um projeto de educação geral nas universidades brasileiras. Embora o modelo de educação superior que se consolidou no Brasil, desde as primeiras instituições de ensino superior isoladas (IES), tenha sido o de uma educação com ênfase vocacional ou profissionalizante, temos na história da universidade brasileira alguns momentos de estruturação mais ampla, concebida como unidade de saber e de estudos culturais, com estrutura curricular integrando todos os cursos e dando ênfase à formação geral e humanista. Estes momentos estão presentes na década de 1930, com a criação da Universidade de São Paulo (USP), em 1934, e a UDF, no Rio de Janeiro, em 1935. As autoras apresentam as discussões em torno da criação da USP que fortalecia a ideia de um modelo universitário que se diferenciasse dos consagrados ensinos do tipo profissional e tivesse uma unidade de formação integradora. Na mesma época, a Universidade do Distrito Federal (UDF), idealizada por Anísio Teixeira, via a universidade como uma instituição com a finalidade de formar a mentalidade da nação, estimulando a cultura e a pesquisa científica. Embora com curta duração, estes modelos históricos são importantes ainda hoje como movimento que buscou a implantação de um modelo de educação superior que enfatizasse a formação geral, de cunho humanista. Dando sequência à análise, as autoras analisam o período da Reforma Universitária de 1968, onde alguns lampejos de uma educação geral podem ser percebidos com o ciclo básico de estudos para os ingressantes, o chamado Ciclo Geral de Estudos (CGE). Este ciclo foi mal compreendido e mal implementado. Trazer para a consideração do debate universitário de hoje, a defesa da formação geral as leva a indagar e discorrer sobre que dimensão do humano cabe à universidade formar para este novo tempo histórico, qual é a sua responsabilidade e quais princípios seguem os projetos pedagógicos das instituições.
O último capítulo da obra, intitulado “Memórias de formação do Curso de Psicologia: reflexões acerca da formação geral” de Paula Saretta de Andrade e Silva e Ana Maria Falcão de Aragão tem o propósito de apresentar a apreciação que egressos de curso de psicologia fizeram sobre a preparação que receberam na graduação e os elementos que podem ser caracterizados como processo de desenvolvimento da reflexão crítica resultantes dessa formação. Buscaram, por meio de narrativas autobiográficas, compreender a percepção que quatro egressos do curso de Psicologia, formados nos últimos 10 anos (egressos a partir de 1997) possuíam sobre si mesmos, suas trajetórias, seus objetivos e suas leituras de mundo, bem como captar, pelos indícios contidos nas narrativas, o entendimento desses sujeitos, a respeito das marcas de sua graduação no que se refere à formação de um indivíduo crítico. As autoras escolheram refletir acerca dos princípios da formação geral, utilizando exemplos de fragmentos das narrativas dos egressos do curso de Psicologia. Olhando para as marcas apontadas pelos egressos em relação às especificidades de sua formação e procurando levantar as possibilidades de vivências que são proporcionadas pela formação inicial, buscaram respostas que se relacionam às seguintes indagações: quais elementos os psicólogos estão trazendo para entenderem-se como críticos? Quais as contribuições da educação superior na formação desta criticidade? Para a análise de cada entrevista, as verbalizações das entrevistadas foram organizadas em eixos comuns e analisadas primeiramente de forma singular, à luz da fundamentação teórica. Em seguida, foi realizada uma exploração indiciária, segundo Ginzburg, de pontos comuns das entrevistas e algumas considerações acerca dos elementos que as egressas apontaram como constitutivos de sua reflexão crítica foram destacados.
É desejo do GEPES que o leitor encontre estímulos para ampliar a discussão em torno da educação geral e qual a possibilidade de novas instituições de educação superior brasileira se lançar a desafiar os ditames do mercado de trabalho e empreenderem uma mais salutar e adequada formação de futuros profissionais-cidadãos.


Sobre os Autores:
Elisabete Monteiro de Aguiar Pereira - É Professora Titular da Faculdade de Educação da Unicamp. Recebeu o Prêmio Zeferino Vaz em 2014 e o Prêmio Péter Muranyi em 2013. Foi Assessora da Pró-Reitoria de Graduação da Unicamp (1998-2002); Coordenadora Associada da Pós-Graduação da Faculdade de Educação, Unicamp (2010-2012). Mestre em Educação pela University of Sheffield e Doutora em Educação pela Universidade Estadual de Campinas. Livre Docente e Professora Titular pela Unicamp. Coordenadora do Grupo Internacional de Estudos e Pesquisa sobre Educação Superior (GIEPES) e do Grupo de Estudos e Pesquisa sobre Educação Superior (GEPES), da Faculdade de Educação da Unicamp.

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