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Toda e qualquer reflexão está sempre imbuída dos mais distintos aspectos, dos quais não se pode prescindir. Ao se refletir vem à tona nossa cultura, nossa experiência familiar, nossa história etc. Tomar consciência dos sistemas de mediações, dos determinantes históricos estruturais, da particularização da legalidade social, reconstruindo as categorias históricas constituintes do seu espaço profissional e do fluxo que verte pela mediações articuladoras da complexa totalidade social, é condição sine qua non para que o professor tenha, efetivamente, condições de agir na direção dos objetivos a que se propõe e na superação dos desafios inerentes à sua práxis. Há que se superar a velha dicotomia entre teoria e prática, de modo que as inter-relações existentes sirvam de esteio para os “quefazeres” docentes.
... não se trata apenas de modificar os percursos de formação no campo dos profissionais da educação, mas de desafiar a categoria desses profissionais, e a seus formadores ao desvelamento da sua estrutura complexa colocando a mediação como categoria central da intervenção profissional, como recurso imprescindível na superação da dicotomia teoria-prática, da relação professor-aluno no que diz respeito aos seus respectivos papéis.
SUMÁRIO
PREFÁCIO
INTRODUÇÃO
A TRAJETÓRIA: CONSTRUINDO-ME COMO EDUCADORA
NA COMPLEXA REDE DE MEDIAÇÕES DA VIDA E NO
DESVELAR DAS INQUIETAÇÕES TEMÁTICAS
A DIMENSÃO ONTOLÓGICA E REFLEXIVA DA CATEGORIA
MEDIAÇÃO: CONTRIBUIÇÕES TEÓRICO-METODOLÓGICAS
PARA EDUCAÇÃO
A MEDIAÇÃO COMO CATEGORIA SOCIAL EDUCATIVA:
CONTRIBUIÇÕES TEÓRICO-METODOLÓGICAS PARA
A EDUCAÇÃO À DISTÂNCIA
A CATEGORIA MEDIAÇÃO E SUA DIMENSÃO REFLEXIVA:
EIXO NORTEADOR PARA OS QUEFAZERES DO PROFESSOR-TUTOR
OS FRUTOS DESSA CAMINHADA: POSSIBILIDADES
PEDAGÓGICAS PARA INTERVENÇÃO E PARA A AÇÃO DOCENTE
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
PREFÁCIO
A trajetória de reflexão a que me dediquei ao ser convidada a escrever este prefácio me conduziu a um já longínquo dia, início de semestre letivo, em que entrei numa sala de aula do curso de Pedagogia para lecionar mais uma disciplina na universidade pública onde trabalho até hoje e lá encontrei uma jovem estudante, de espírito inquieto e com uma personalidade marcante: Adriana Losso.
Em processo investigativo borbulhante trazia sempre para nosso encontros e debates suas ricas contribuições, oriundas de suas leituras, sempre realizadas para além das solicitadas (fator meio incomum em tempos de hábitos de leitura pouco difundidos e perseverados entre acadêmicos, infelizmente...). O que a destacava ainda mais era, foi e é sua preocupação com o direito à produção e a apropriação do conhecimento pelos sujeitos do ato educativo na busca da construção de um modo de vida com qualidade e dignidade para todas as pessoas. Ela nunca deixou por menos! Sua motivação era intensa e comprometida com o social, sempre. O fato de já trabalhar em escolas públicas desde aquela época a aproximou ainda mais de sua firme disposição de contribuir com o maravilhoso processo dialético de produção de conhecimentos significativos para os seres humanos, em especial as contribuições que a pedagogia, em suas várias nuances e habilitações, poderia trazer para todos. Sempre foi fascinada pela dialética que impregna o ato de ensinar-aprender... A relação teoria-prática no “que fazer docente junto aos discentes” – e vice-versa! – a relação que se constrói nesse processo e que por ele é construída, levou-a, percebo agora, desde aqueles tempos, ao encontro da categoria que se tornou seu eixo principal de investigação: a mediação. Buscando compreender melhor a delicada urdidura dialética da trama que compõe o ato educativo, demonstrou coerência quando a reencontrei no Mestrado em Educação e Cultura onde tive o privilégio de ser sua orientadora: definiu-se pelo estudo da categoria mediação em suas várias dimensões. Iluminou seu projeto investigativo com suas experiências como educadora: professora em cursos presenciais e a distância, orientadora educacional e professora-tutora dos momentos presenciais em curso de pedagogia pioneiro no país, na modalidade a distância, curso este onde a tutoria tem papel fundamental. Descreve em sua obra com sensibilidade essa trajetória, no capítulo em que, como educadora, assume-se como ser em permanente “vir a ser”, que vai se construindo, como ela mesmo registra “na complexa rede de mediações da vida”, rede essa que vai, ao mesmo tempo, desvelando “suas inquietações temáticas”. Ao escrever os capítulos Adriana explora as várias dimensões da categoria mediação: a ontológica e reflexiva, a social-educativa, a reflexiva como eixo norteador para um professor-tutor, mas sempre deixando firmemente registrado que a mediação é um elemento intrínseco às relações educativas, constituindo-as e sendo por elas constituída. Esboça um valioso perfil teórico-metodológico da categoria mediação, “a partir do resgate de suas bases históricas, e no âmbito de sua fonte primária – a dialética marxista, para contribuir com processo de formação de educadores, com novas práticas pedagógicas docentes, e para a educação em geral, em todas suas modalidades”. Essa é a Adriana, sempre inteira, honesta, lúcida e transparente. Dialogando com vários e interessantes autores nos seus desafiadores capítulos, chega ao epílogo, onde coerentemente, como pedagoga compromissada, zelosa das verbas públicas que lhe ampararam os anos de estudo, presta contas dos frutos provisórios dessa caminhada: registra possibilidades pedagógicas para a intervenção e para a ação docente em todos os níveis e espaços educativos, especialmente para a fundamentação de programas destinados à formação inicial e continuada de professores e professoras. Mas alerta que são só indicadores, não sendo sua intenção fornecer soluções ou respostas conclusivas para as questões delas ou outras análogas a elas: procura despertar, coerentemente, dialeticamente, novas inquietações... Mas cumpre-me lembrar que inquietações são privilégios do ser humano em suas relações sempre educativas... Se, como afirma Adriana, perceber a categoria mediação como algo forjado no movimento imanente da história nos leva também à compreensão de que, sem entender a constituição do ser social, na sua totalidade, e como ele se articula neste contexto, será impossível apreender as mediações, podemos afirmar que ela está fazendo muito bem a sua parte, provocando-nos, ao estabelecer conosco, com suas reflexões, uma relação potencializadora de ricas mediações. (Sonia Maria Martins de Melo – UDESC)
Sobre a autora
Graduada em Pedagogia (1991) e especialista em Alfabetização (1999) pela UDESC Mestre em Educação e Cultura (2004) pela mesma universidade. É doutoranda em Educação/ UNISINOS/RS (2008) e orientadora Educacional na SMED de Palhoça (SC) na função de Consultora Pedagógica da EJA. A autora possui ainda experiência na área de Educação, com ênfase em Educação Superior (graduação, lato-senso), Ensino Fundamental, Educação Infantil e EJA, atuando, principalmente, nos seguintes temas: Educação, Prática de Ensino, Ensino Fundamental, EAD, Mediação e Formação de Professores. Sua atuação no ensino superior compreende: o sistema de tutoria e docência em Curso de Complementação Pedagógica e Licenciatura Plena de Pedagogia Séries Iniciais e Educação Infantil na Modalidade a Distância da UDESC, nas disciplinas de Prática de Ensino/Prática Pedagógica e disciplinas integradas à prática: Didática, Metodologia da Pesquisa e Extensão, Currículo e Planejamento Educacional. Tutoria no curso de Licenciatura Plena em Pedagogia e Pós-Graduação – Especialização em Educação do Centro Universitário Leonardo Da Vinci, onde é autora do Caderno de Estudos de Orientação Educacional.
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