VOLTA

Educação

PERSPECTIVA ÉTICA E GENEROSIDADE
Luciene Regina Paulino Tognetta

ISBN: 978-85-7591-100-6
Formato: 14 x 21 cm., 288 pp., primeira edição: março de 2009
Preço: R$ 48,00

Explicar as ações humanas e como essas se tornam morais tem sido a tarefa de inúmeras pesquisas na Psicologia Moral. Esse livro busca apresentar uma discussão atual sobre Moral e Ética que possa compreender como as ações humanas podem ser generosas. Entendendo que uma virtude é uma disposição que depende mais do que da tomada de consciência do outro, – já que não se situa no campo dos direitos e das obrigações – considera-se que sua integração à identidade do sujeito dependerá dos investimentos afetivos que a tornarão um valor. Tais estudos validam a intenção deste livro de discutir as correspondências entre ética (como o sujeito se vê) e moral (como julga as situações morais).
______________________________________________________________________
“Quando se pensa na dimensão afetiva da moralidade, uma primeira idéia que pode ocorrer é procurar estudar sentimentos morais (compaixão, culpa, apego etc.) que, enquanto tais, são reguláveis pela razão. (...) Por exemplo, costumamos sentir compaixão por pessoas e eventos que julgamos dignos de tal sentimento (pouca gente, imagino, sente compaixão por milionários que perderam alguns milhares de dólares numa crise financeira, mas muitas pessoas experimentarão esse sentimento ao se tratar de uma pessoa pobre que perdeu R$ 200,00). Mas o problema de se destacar uma lista de sentimentos é que se corre o risco de fragmentar o universo moral. Por exemplo, a compaixão associa-se à generosidade, mas não à justiça. Uma pista para resolver o problema foi dada pelo próprio Piaget quando observou que, na autonomia moral, é a personalidade toda do indivíduo que está em jogo. Dito de outra forma, o sujeito autônomo investe sua personalidade na moralidade, ele a vive como parte integrante de seu ser, notadamente porque ele a vê, não como sistema exterior ao qual obedece, mas sim como a sua obra, construída em cooperação com outros sujeitos autônomos. Embora Piaget não tenha falado “personalidade moral”, certos autores, grosso modo a partir de final do século passado, passaram a empregar essa expressão, ou outras parecidas como “personalidade ética”, que pessoalmente prefiro. Ora, é justamente nessa nova abordagem teórica ... que o livro de Luciene se insere. Em linhas gerais, tal abordagem considera que agem moralmente as pessoas para quem “ser elas mesmas” e “agir moralmente” são uma e mesma coisa.” (do prefácio de Yves de La Taille)
______________________________________________________________________
SOBRE A AUTORA:
Luciene Regina Paulino Tognetta é doutora em Psicologia Escolar pelo Instituto de Psicologia – USP. Realizou parte do doutorado no exterior junto aos Archives Jean Piaget, na Universidade de Genebra, Suíça. Membro do Grupo de Estudos e Pesquisa em Educação Moral da Unesp e do Laboratório de Psicologia Genética da Faculdade de Educação, Unicamp.
Docente da Faculdade de Educação da Unicamp. É autora do livro A construção da solidariedade e a manifestação de sentimentos na escola e do livro Quando a escola é democrática: um olhar sobre a prática das regras e assembléias na escola, com Telma Vinha e ainda organizadora do livro Virtudes e educação: o desafio da modernidade. É organizadora da coleção “Cenas do cotidiano escolar”, pela Editora Mercado de Letras e também autora de livros de literatura infantil e coordenadora da coleção “Falando de sentimentos” pela Editora Adonis.

SUMÁRIO


PREFÁCIO (Yves de La Taille)

INTRODUÇÃO


PARTE I

CAPÍTULO 1 – A NATUREZA DA MORALIDADE HUMANA: DOS POETAS AOS FILÓSOFOS
A compreensão do fenômeno humano

CAPÍTULO 2 – A NATUREZA DA MORALIDADE HUMANA – O PSIQUISMO
A moral na perspectiva piagetiana
A teoria de Gilligan e a nova perspectiva da moral

CAPÍTULO 3 – DOS ASPECTOS AFETIVOS DA MORAL
Juízo e ação X inteligência e afetividade
A afetividade na teoria piagetiana
Os estágios da afetividade na teoria piagetiana

CAPÍTULO 4 – A PERSONALIDADE E SUAS REPRESENTAÇÕES DE SI
A personalidade e suas representações de si
Consciência de si, identidade, imagens de si, eu, mim mesmo, representações de si
Quem é esse EU?
O papel do outro
Os primórdios das representações de si
A estrutura da identidade: as representações de si e sua dimensão temporal
O adolescer – o tornar-se
Imagem de si e imagem ideal
Representações de si e moral

CAPÍTULO 5 – DOS SENTIMENTOS MORAIS: HONRA, CULPA, VERGONHA, ADMIRAÇÃO E INDIGNAÇÃO
A estima de si ou o auto-respeito
O sentimento de honra
Os sentimentos de culpa e de vergonha
A admiração
A indignação

CAPÍTULO 6 – AS VIRTUDES E A BUSCA PELA FELICIDADE

CAPÍTULO 7 – ALGUMAS CONSIDERAÇÕES: A BUSCA POR “SER MELHOR”
O papel das pessoas significativas
As representações de si
Em resumo


PARTE II

CAPÍTULO 8 – A FORMAÇÃO DA PERSONALIDADE ÉTICA: ALGUMAS PESQUISAS

CAPÍTULO 9 – ÉTICA X MORAL: UMA INVESTIGAÇÃO ATUAL
Primeiro estudo – a admiração
Segundo estudo – os dilemas de generosidade
Terceiro estudo – a correspondência entre as imagens de si e os julgamentos de generosidade
Quarto estudo – estudo intercultural

CAPÍTULO 10 – ALGUMAS CONSIDERAÇÕES FINAIS
As virtudes humanas
As imagens de si e as buscas por ser melhor
São culpados os que não agem bem?
As implicações educacionais dessa pesquisa

REFERÊNCIAS